domingo, 5 de abril de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Sobre o Machismo e a Sexualidade Feminina
Há muito se fala sobre liberação sexual, feminismo e direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, construindo-se em outra via, se fala também sobre o machismo e sobre as consequências de uma sociedade machista para seus membros. Mas o que seria a sexualidade da mulher? O que se chama de machismo? Por fim, qual seria a ligação entre as concepções machistas que permeiam até hoje em nossa sociedade e a vivência plena da sexualidade da mulher?
Desde os primórdios da psicanálise, Freud construiu uma noção de sexualidade que vai muito além do ato sexual. Quando se pensa na concepção de sexualidade na teoria psicanalítica, não se pode pensar apenas em relações sexuais e de que forma elas acontecem. Na verdade, segundo essa concepção, o sexual seria a base de todos os nossos investimentos afetivos, mesmo que muitas vezes apareça atuando de forma quase imperceptível. A sexualidade da mulher, por exemplo, abrange desde seu desenvolvimento – que é psicossexual – até as escolhas que fazemos na vida adulta. A sexualidade infantil, por exemplo, é um fato.
Já o machismo consagrou-se pela máxima de que homens, simplesmente por serem homens, tem certos privilégios que podem ser observados, principalmente, em suas participações na social. Por muito tempo, acreditou-se que o homem deveria ganhar mais do que a mulher, que ele teria direitos a mais por ser homem e que a submissão da mulher perante o homem era algo quase que “natural”. É como se “naturalmente” as mulheres devessem estar à disposição do homem, já que esse seria um dos papéis que fazem parte de sua essência.
Quando a gente lê esse tipo de coisa sobre o machismo, a gente tende a achar que isso é coisa do passado, que isso não existe mais. Hoje homem chora, ajuda na cozinha, ganha o mesmo ou até menos que muitas mulheres. Bom, isso é verdade, mas não é bem essa a questão. A questão é que a sexualidade da mulher ou a expressão dessa sexualidade faz com que possamos perceber o quanto ainda estamos presos à concepções machistas e pior: o quanto que ainda alimentamos o machismo em nosso cotidiano, em nossas relações. Talvez seja difícil de entendermos isso no primeiro momento, mas alguns exemplos de frases e de situações que são ditas e que ocorrem diariamente podem nos ajudar:
1 – “Homem solteiro pode ficar com quem e com quantas ele quiser. Já a mulher deve se preservar , pois se fizer o mesmo que o homem, ganhará fama” – eu desafio qualquer pessoa a me apresentar uma justificativa aceitável, que não seja o simples fato de uma pessoa ser homem e a outra ser mulher, para essa frase. Ahh, então eu estou dizendo aqui que as mulheres que ficam com outros caras depois do fim de um relacionamento não ganham fama, que isso é uma mentira? Pelo contrário, ganham fama sim. E por muitos motivos: porque somos hipócritas, porque aprendemos desde cedo que mulher pode fazer apenas tal coisas e homem outras coisas e por aí vai. Tá tudo errado. Mas nada justifica, de forma racional e clara, uma fama de garanhão para o homem nessa situação e outra fama de vagabunda para a mulher na MESMA situação. E outra: o que é mesmo uma VAGABUNDA? Por que elas fascinam tanto as fantasias das mulheres que as apontam?
2- “Mulheres não podem usar roupas muito curtas ou coladas, pois esse tipo de roupa provoca os homens” – Gente, tadinho dos homens! Sinto pena até! Não podem estar na presença de uma mulher de roupa curta porque já se sentem provocados por elas! Muitas vezes poderia passar pela cabeça deles que elas estão com essa roupa porque elas querem, porque se sentem bem com elas, porque até querem provocar alguém, mas não todo mundo, etc; E mais: a roupa curta de uma mulher não pode servir como justificativa para o ato de uma outra pessoa. Mas quem nunca escutou “ah, eu fiquei com ela mesmo, ela tava de roupa curta, me provocando, aí eu sou homem, né? Como é que eu ia deixar passar?” Sério, homem (das cavernas)? Então defina pra mim o que você entende por “provocação”.
3 – “Aquela fulana foi estuprada porque ela mesma provocou” – Ninguém é estuprado porque quer, se fosse por desejo de ambas as partes, já não se configuraria como estupro! E outra, mais uma vez: o que estamos chamando de “provocação”? Um vestido curto? Ok, então meu vestido curto é um convite para que você me estupre. Sério, essa é a lógica? Continuo sem entender.
4 – “Homem que cozinha e que cuida dos filhos com muito afeto é gay” – É gente? Gay? Ok, então vamos lá: um heterossexual é aquele que trabalha, ganha dinheiro, não é afetuoso, é sério, não ri muito e também não chora, pois não pode mostrar suas fraquezas. É isso? Olha, essa concepção é bem equivocada, mas diante de outras, é o mínimo que se pode esperar. Tem gente que acha que gay é aquele que “toma vinho sozinho” (?!). Então.
5 – “Mulheres que trabalham fora esqueceram de seus filhos e esses filhos não são bem criados” – Essa é uma concepção comum entre as próprias mulheres, diga-se de passagem. Muitas delas acreditam também que mãe mesmo é aquela que teve seu filho de parto normal, pois cesariana te priva da experiência da dor. Outra coisa comum é as mulheres acharem que, uma vez mães, não são mais mulheres, são mães. E pronto. Toda a sexualidade por água abaixo. Sobre ser “bem criado” ou não, essa é uma outra concepção a se pensar: o que significa ser “bem criado”? É estudar, trabalhar, não falar palavrão, não usar drogas, é isso? E se a mesma pessoa estudar muito, mas mentir pros pais e dizer que estava em um lugar x quando estava em um lugar y, ela é bem criada? Ou se estudar, ser gentil, mas um dia fugir da escola para beber e ir pra praia com os amigos, ela é o que? E se for do seu filho que falaram, ele é o que?
6 – “Mulheres devem aceitar que trair faz parte da natureza do homem” – Pois é, a NATUREZA…maldita hora que resolveram colocar a biologia dentro das concepções de gênero masculino e feminino. Desde que fizeram isso, ficou permitido se pensar em um homem que NATURALMENTE faz e pode fazer x coisas e em uma mulher que NATURALMENTE tem x e y características. A verdade é que quem nomeia o que seria natural de cada gênero é a própria sociedade, já dizia Judith Butler. Bem aí, já há uma contradição: uma noção construída pela sociedade, por nós, dentro de um certo contexto histórico, não pode ser, ao mesmo tempo, algo tão NATURAL assim. Se você quer acreditar que é da essência do homem trair, ok, isso é uma escolha sua. Mas não diga que isso é NATURAL, que é um direito dele, que Deus criou o homem assim, porque olha, não é bem isso aí não.
7 – “Trair não é da natureza da mulher” – Sério? Hahahahahahahah
8 – “Mulheres casadas PRECISAM engravidar para se sentirem completas” – O velho mito que ronda a maternidade. Ela seria algo tão maravilhoso que Freud escreveu que as mulheres só superam sua inveja de ter um pênis pelo desejo de terem um filho. Pode ser. Para algumas mulheres, sim. A dificuldade (das próprias mulheres, muitas vezes) é ACEITAR que existem no planeta Terra algumas outras mulheres que tem outras prioridades. Que são heterossexuais, que amam seus maridos, mas que não querem ter filhos, simplesmente porque, nelas, não há esse desejo. Pode ser que ele venha, pode ser que não. Mas isso só quem sabe é cada uma delas. Mas o que se vê é uma outra história: mulher tendo filho porque a sociedade está lhe cobrando, porque o marido ( e somente ele) quer, porque ela já é casada, então ela tem que ter um filho porque todo mundo tem que ter um filho, mulher abrindo mão de outros sonhos e de outros desejos seus, mais importantes naquele momento, para terem um filho, pois a família dela acha ter um filho mais importante do que os desejos dela mesma. E por aí vai. Ser mulher passa por inúmeras questões que não podem ser resumidas apenas na maternidade.
Todas essas premissas acima dizem respeito a uma diferença de gênero. Só isso. Uma pessoa pode ou não pode fazer alguma coisa simplesmente porque é do gênero X ou Y. Essas concepções fazem parte de nossa realidade atual. Acaba que, no fim das contas, de uma maneira ou de outra, somos julgados por termos um desses dois gêneros. Um alerta: a concepção dual de gênero vem caindo cada vez mais. Muitas das características que eram atribuídas somente para descrever uma mulher agora são de domínio do outro gênero. Explico: um homem heterossexual, que é casado com uma mulher, mas que gosta de vestir peças do vestuário feminino é de que gênero? Outra: um homem heterossexual, que é casado com uma mulher, mas que faz uma cirurgia para feminilizar seu corpo, pois assim se sente melhor, é de qual gênero?
Se colocarmos um pouco a cabeça pra funcionar, veremos que concepções baseadas apenas no argumento dualidade de gênero não podem mais se sustentar. Se você realmente acha que mulheres devem trabalhar menos que homens, que devem ser submissas a eles e que devem ter menos direitos que eles, assuma que isso faz parte do seu desejo, da sua fantasia, e viva isso! Mas não venha me dizer que isso é o “natural”, pois está na “essência” de cada gênero.
Por: Giovana Vieth
Fonte: http://www.blogsoestado.com/diva/2013/05/14/sobre-machismo-e-sexualidade-feminina/
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
domingo, 26 de outubro de 2014
A incompatibilidade sexual
A incompatibilidade sexual se reflete na atração sexual mútua, assim como na coincidência das referências sexuais de ambos, ou seja, o comportamento, os jogos ou as situações que excitam os dois. Muitas vezes, chamamos essa compatibilidade de química… olhar, cheirar, sentir, simplesmente perceber que essa pessoa ativa o desejo sexual quase que automaticamente.
Os casais compatíveis sexualmente costumam se entender de maneira bastante espontânea na comunicação verbal. Um sabe do que o outro gosta, qual é o momento de mudar de estímulo para manter um ritmo, acariciar determinadas zonas erógenas e como fazer isso. Se o relacionamento é harmônico e nenhum dos dois apresenta disfunções, o sexo é completamente satisfatório e parte importante da união. Com o tempo, a compatibilidade sexual pode se enriquecer se o casal pesquisa, fala sobre as fantasias e conhece diferentes jogos eróticos.
Em contraposição, falamos de incompatibilidade sexual quando o parceiro não corresponde às expectativas eróticas do outro. Há diferenças marcadas entre a imagem que se tem de uma pessoa sensual em comparação com as características reais do parceiro. Também é comum que os estilos eróticos sejam opostos. Por exemplo, um pessoa gosta de sexo calmo, lento, suave e a outra se sente atraída por um erotismo mais instintivo e visceral. A incompatibilidade sexual é comum em casais que não se aproximaram pela atração sexual, mas por outros fatores como: segurança afetiva, status social, poder econômico, desejo de formar uma família, pressões externas.
Dentro da compatibilidade/ incompatibilidade sexual, também são incluídos os “termostatos sexuais”. Cada pessoa tem um nível próprio de desejo sexual como parâmetro que, ainda que varie de acordo com diferentes fatores, é algo muito pessoal. Quando os dois membros do casal têm um nível de impulso sexual muito diferente, encontram-se diante de um aspecto incompatível, ainda que, utilizando algumas manobras terapêuticas, às vezes seja possível entrar em conciliação e chegar a um ponto satisfatório.
Agora, vamos falar de soluções. A possibilidade de resolver um problema de incompatibilidade é relativa. Tudo depende do tamanho das diferenças. Se há um ponto de atração mútua e satisfação com alguns jogos eróticos, trata-se de reforçar esses aspectos compartilhados. Depois, é preciso estabelecer acordos em relação às diferenças. Por exemplo, se há discrepâncias quanto às posições sexuais que dão mais prazer ou o ritmo da penetração que estimula mais, cada um deve ter um momento para desfrutar à sua maneira. Não se esqueça que durante o sexo é preciso manter um equilíbrio entre dar prazer e recebê-lo.
Por Dr. Ezequiel López Peralta
Fonte:
http://discoverymulher.uol.com.br/familia/sexo/a-incompatibilidade-sexual/
Acesse também:
https://www.facebook.com/pages/Vivendo-a-Sexualidade/326634087428663
https://www.facebook.com/pages/Sexualidadenaadolescencia/605519846145434
terça-feira, 7 de outubro de 2014
Participação no Programa "Antes da Uma" - Rádio Stereo Vale - 08 de outubro de 2014
Boa tarde!
Amanhã, dia 08/10 (quarta-feira), estarei na Rádio Stereo Vale, das 11h00 às 13h00, no Programa Antes da Uma.
Sintonize 103,9 ou acesse
http://stereovale.com.br/player.html
http://stereovale.com.br/
Abraços,
Marcia Eliane
Psicóloga Clínica e Especialista em Sexualidade Humana
https://www.facebook.com/pages/Vivendo-a-Sexualidade/326634087428663
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Participação no Programa "Antes da Uma" - Rádio Stereo Vale - 11 de setembro de 2014
Boa tarde,
Nesta quinta-feira, dia 11 de setembro, estarei na Rádio Stereo Vale, participando do Programa Antes da Uma, das 11h00 às 12h00. Falaremos sobre Compulsão Sexual.
Sintonize 103,9
Ou acesse:
http://stereovale.com.br/player.html
http://stereovale.com.br/
Abraços,
Marcia Eliane
Psicóloga Clínica e Especialista em Sexualidade Humana
sábado, 6 de setembro de 2014
Feliz Dia do Sexo
Criado pelo marketing de uma empresa de preservativo para estimular suas vendas, esta data pode ser utilizada para pensar e repensar a vida sexual e sua sexualidade.
Pensar nas mensagens que recebemos sobre o sexo, sobre sua sexualidade.
Para os homens, uma imposição, quase uma obrigação de que eles devem querer a todo momento e com todas as mulheres.
Para as mulheres já é diferente. Devem envolver sexo e amor, devem ser difícil, não podem ter desejo e muito menos expressar, mesmo que seja para eu companheiro.
Essas mensagens causam sofrimentos, pois impede de ver o sexo da sua maneira mais genuína: prazer.
Sexo é o maior prazer físico que o ser humano pode sentir, traz benefícios para saúde física e mental. Melhora as cólicas, reduz os riscos de doenças cardíacas, aumenta imunidade, diminui os riscos de infarto, queima calorias, aumenta a imunidade e outros.
Para alguns o sexo é sofrimento, principalmente para quem apresenta disfunção sexual. Para homens e mulheres, as disfunções interfere no prazer, na relação com o outro e consigo mesmo. Capaz de diminuir a auto estima, de fazer com que homens e mulheres sintam-se menos e incapaz.
Sexo é troca de saliva, de suor. É toque, carícia, permissão para o prazer.
É deixar ser explorado pelo corpo de outro em troca de prazer.
É permitir fantasiar, explorar a imaginação.
É desfocar e deixar-se levar pelo prazer.
Sexo não tem receita, cada um tem sua particularidade, sua maneira de sentir e dar-se ao prazer.
Sexo não é obrigatório e sim mais uma maneira de ser ser feliz, de ter mais prazer e viver!
Quer saber mais sobre o sexo, sua sexualidade:
https://www.facebook.com/pages/Vivendo-a-Sexualidade/326634087428663
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